Por Ana Filippini, Ponto Focal para a América Latina da Rede Internacional de Mulheres pela Justiça Climática, Gender CC, mujeresporjusticiaclimatica@gmail.com

A análise da Declaração dos Povos (1) emanada da Conferência dos Povos sobre a Mudança Climática e os Direitos da Mãe Terra, que foi celebrada de 20 a 22 de abril em Cochabamba, Bolívia, pode fazer que pensemos que a questão de gênero não esteve presente nessa conferência.

Mesmo que em termos gerais poderia ser dito que a perspectiva de gênero não foi incorporada de forma substancial nas conclusões dos grupos de trabalho, em alguns textos pode ser encontrada uma linguagem de gênero. No entanto, as mulheres são mencionadas nas conclusões do trabalho, basicamente, como um grupo vulnerável. (Por exemplo: no grupo 6 sobre migrações especifica-se que são as mulheres as que sofrem as situações mais graves em decorrência da migração; no grupo 7 sobre povos indígenas é reclamada a participação plena e efetiva de grupos vulneráveis incluindo as mulheres; o grupo 8 sobre dívida climática menciona duas vezes as mulheres dentro dos grupos vulneráveis; o grupo 12 sobre financiamento reclama que haja representação das mulheres no novo mecanismo de financiamento que deverá ser criado a fim de assumir os custos da mudança climática, e o grupo 14 sobre florestas solicita que seja reconhecido o papel das mulheres na preservação das culturas e na conservação das florestas nativas e selvas e propõe a criação de um grupo de especialistas com no mínimo 50% de participação das mulheres.) (1)

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